Responsabilidades x competências


Continuando a trilha de conteúdos neste blog, eu gostaria de dizer especificamente sobre responsabilidade e competência. Se você ainda não leu, eu iniciei esta série de conteúdos falando sobre os 12 anos de um movimento independente para jogos de RPG de mesa. Falar sobre responsabilidade tange a inúmeros compromissos não-expostos dentro e fora do mercado e competência está diretamente ligado a isso. Eu vou explicar uma pequena parte disto funciona.

Tudo começa quando tomamos uma decisão!

"Eu quero fazer um jogo."

Ótimo, criar um jogo é uma tarefa satisfatória e desafiadora. Vai exigir de você algumas competências intelectuais e sociais. Por exemplo:


  • Relacionar com o público em comunidade e eventos.
  • Manter uma conversa agradável.
  • Desenvolver um desafio.
  • Construir uma experiência de jogo, muitas das vezes divertida.
  • Operar cálculos.
  • Elaborar um texto compreensível.
  • Deixar claro ao público quem é você e porque faz seus jogos.
  • Dentre outros.
É bem provável que você pensou que criar um jogo é apenas escrever um texto e deixar disponível publicamente. E não tem mal em pensar nisso, até porque, nas primeiras experimentações não compreendemos a real importância de tornar visível um instrumento de livre manuseio artístico. 

Livre, manuseio, instrumento, artístico.

O jogo que você elabora, não será jogado da mesma forma por outras pessoas. É cultural e tradição as pessoas que jogam RPG de mesa ajustarem textos aos seus privilégios emocionais. Provavelmente se você já brincou de construir uma narrativa certamente passou por uma situação de adaptar ao fluxo narrativo. Diferente de jogos eletrônicos e outros modelos de jogos. O RPG não tem uma limitação, mesmo que isto esteja escrito no livro, a única limitação está na capacidade imaginária das pessoas.

Então a partir do momento que tu torna público uma informação, você já não tem mais controle sobre isso. E para um artista é um sentimento aterrorizante. Você não sabe o que elas irão fazer, porque não tem um fator limitado e mesmo que fosse limitado com inúmeras caixas de textos, advertências e alertas, isso não vai corrigir ou focar na experiência narrativa que o jogo centraliza.

E o que isso tem haver com competência? Bem, a partir do momento que coletou uma quantidade de experiências sobre situações que permeiam a sua comunidade, que tipo de ação você pode realizar? Se você é habilidoso com as palavras, como seus textos podem promover uma solução a um conflito ou ocorrências dentro do seu ambiente? Como elaborar um jogo que fale problemas sociais e que instigue pessoas a serem desafiadas a resolverem aqueles problemas?

Competência em fazer um jogo não é apenas escrever. Muito menos criar um universo ficcional ou escrever regras. Competência é quais habilidades o seu jogo entrega para a sociedade. O seu jogo é um espelho, ele reflete o que você pensa, o que sabe, o que imagina. E aí entramos na responsabilidade.

Eu sempre disse que, todo designer de jogo tem uma responsabilidade social. Você não pediu por isso, mas tem. É construir em você como artista um olhar para as bases da sociedade. Econômica, política, cultural e social. Pois é, você já pesquisou quais são os perfis de pessoas que jogam o teu jogo? Em termos de raça, localização, idade, situação econômica? Pois bem, nem paramos para refletir não é mesmo.

Você pode se intitular designer de jogo, certo? Me diz então para qual público foi voltado os seus jogos? Provavelmente para pessoas que jogam RPG, certo? Mas...

  • Quem joga RPG?
  • Quem nunca jogou RPG?
  • Quais grupos étnicos possuem maior adesão ao seu jogo?
  • Por quais fatores levaram a decisão de pessoas a não jogarem RPG?
  • O que as pessoas pensam sobre jogos de RPG?
  • Qual é o tipo de acesso que estas pessoas tem sobre RPG?
  • Jogar RPG tem algum grau de prioridade na vida das pessoas?

Estas são poucas das várias questões que estão para surgir sobre o assunto. Nos aperfeiçoar quanto artistas, profissionais e comunidade é um exercício complexo e doloroso. Mas devemos estar dispostos a elaborar acordos em que ambas as partes saem beneficiadas. 

Reflitam.



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