Então, para onde vamos?



Desde 2006, talvez seja a melhor data para firmar o início do movimento, o indie RPG (nome dado a um grupo de experimentalistas e futuros designer de jogos) tem sustentado inúmeras opiniões que variam entre a extremidade tóxica e a fascinante descoberta de novos talentos e meios de conviver em um mercado de nicho consideravelmente complexo.

São 12 anos de convivência. Basicamente um reality show digital deste mercado de entretenimento onde muitas pessoas se feriram, informaram, construíram carreira e até descobriram e fortaleceram laços afetivos. Eu participei desde o primeiro dia da fundação deste movimento e ainda permaneço porque faço parte desta história.

Em 2006, o RPG no Brasil estava marcado por uma saturação de Dungeons and Dragons e a expectativa elevadíssima de uma nova edição anunciada (a quarta) após um longo hiato fez com que o um novo sentimento despertasse no coração de algumas pessoas: “Será que é possível eu jogar algo diferente?”

O que ainda devemos deixar claro é que existia uma “blogoesfera” nacional (com ranking de acessos) em que também nasceria algo primoroso para o mercado (Old Dragon RPG e a editora Redbox), mas isso não vem tanto ao caso detalhar esta história. Mas duas coisas estavam nascendo e crescendo de forma totalmente verticalizada.


  • O sentimento de decepção de fãs de Dungeons and Dragons tinha com as prévias da nova edição e o crescente movimento de resgate as regras tradicionais.
  • O movimento indie no Brasil.


Claro que diferentemente do indie nos EUA, o Brasil não tinha autores de grande nome com problemas editoriais e que sofria algum tipo de censura de ideias. Os grandes nomes se manteve e ainda mantém no mesmo lugar e produzindo. Porém, o público consumidor que alimentava uma rede de informações começou a elaborar a ideia de fazer seus próprios jogos e até editoras.

Quando um público consumidor reage assumindo o protagonismo de produção temos uma chamada revolucionária muito forte. E tudo isso foi por causa de 1 livro. Enquanto o tempo passava e várias pessoas se juntavam para elaborar seus jogos, uma comunidade digital se ergueu. E claro muitas coisas rolaram que não cabe a mim entrar em detalhes.

12 anos se passaram e o mundo mudou, é diferente. É uma nova geração de pessoas, que agora são pais ocupados construindo um futuro melhor para seus filhos, adultos tentando fortalecer a sua estabilidade emocional e financeira de forma independente ou crianças dos anos 2000 que se tornaram adolescentes com ideias fortes. E, por mais tentativas de conteúdo fossem elaboradas, elas rapidamente deixariam de ser importante, porque o momento é outro. Não existe mais o mesmo sentimento, em outras palavras, o propósito é datado.

Atualmente, eu chamo a atual cena indie lá nos EUA de “nova onda”. Onde pessoas LGBTQIA+ assumiram de forma colossal um protagonismo graças aos trabalhos encorajados pela Avery Alder. Principalmente pessoas trans, não-binárias e mulheres estão tomando as redes deste mercado de nicho enquanto nomes mais conhecidos estão ocupados administrando suas vidas pessoais e com uma produção desacelerada.

Este texto é uma reflexão e crítica a mim, que fez parte de algo grande, mas que não teve sabedoria suficiente para entrar no fluxo da sociedade e usar esta comunidade como uma força social de mudança. Atualmente, no Brasil, as mulheres, negros e lgbtqia+ estão carregando o protagonismo em vários setores do entretenimento. E aos poucos estas pessoas que fazem ou já fez parte deste grupo estão se protagonizando isoladamente. Mas elas estão aí com propósitos individuais. E então eu deixo uma pergunta:

Quando e qual será o próximo movimento organizado?

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