Desculpe se eu não te escutei, mas era necessário falar naquele momento


Existem inúmeros meios de se expressar, a arte é uma delas. Com a elevada interação em massa de redes digitais, tudo se intensificou, como eu já havia dito no texto anterior, as vozes estão mais organizadas e quando várias pessoas falam simultaneamente é difícil captar qualquer mensagem com clareza. Desde 2006 pra cá muitas vozes foram ecoadas, outras silenciadas, algumas até agudas demais para ferir. De qualquer maneira existiu sempre locutores, mas poucos ouvintes.

Ouvir é um exercício extremamente complexo, somos uma nação de pessoas sensíveis. Talvez, extremamente sensíveis. Para muitos de nós, e eu me incluo nisto, a internet sempre foi uma "casa 1.5", nem seria uma segunda opção, mas ela coexiste com a minha residência real. Consegui comunicar com inúmeras pessoas que jamais imaginaria. Foi uma experiência extremamente agregadora na época, eu até cheguei a organizar encontros! Nunca pensei que eu faria algo deste tipo. Mas todos esses anseios foi de caráter individualista. Eu só queria realizar o que eu sentia falta. E a cada realização era um passo tão largo quanto o outro.

Eu me avançava tanto a um ponto que eu já me sentia solitário, assim como eu era antes de buscar refúgio na internet. A ansiedade e a ganância conduziu-me ao ponto de partida, novamente. Eu passei por um longo caminho tão rápido que eu não pude saborear toda a passagem e talvez fazer algumas pausas e aprender.

Ao longo dessa passagem superveloz eu esbarrei com vozes também. Elas estavam fazendo o seu próprio percurso e de que alguma forma precisava de ter alguém ali para receber. Eu não fui uma delas, na verdade eu as ignorei, porque eu vi a importância de realizar meus anseios. Me sentia extremamente sufocado, eu precisava solucionar algo pessoal, um motor motivacional tão maior quanto alimentar um mercado em um período de estabilidade.

Ao navegar nos rastros que deixei ao longo destes 12 anos percebi o quanto amargo foi passar por tudo isso, afastar de muita gente, perder a confiança, esvaziar o propósito, permitir-se frustrar, não buscar um mentor, fortalecer-me fisicamente e psicologicamente, em outras palavras, traçar uma estratégia que seguiria o fluxo do tempo.

Os jogos que eu criei até o momento foi uma tentativa de eternizar e deixar apenas ali tudo que eu passava naquele momento. Um grito de socorro de forma implícita. Eu transformei a angústia em arte. Eu construí uma expectativa faraônica sobre os resultados, mas nenhum deles corresponderam. Ao invés de encarar esta realidade e tentar compreender tudo, preferi abandonar e afastar silenciosamente para encontrar um novo propósito, que faça sentido, que provoque uma nova energia impulsionadora.


0 comentários:

Postar um comentário

My Instagram