Pontos de Vida - Alterando os valores tradicionais de D&D



Alterando os valores tradicionais de D&D é a minha nova série de colunas sobre game design. A proposta é desconstruir e propor soluções nos núcleos mais famosos que sustentam a audiência deste jogo. Utilizarei por base a versão mais recente deste jogo, a edição 5. Basicamente esta série apresentará os seguintes tópicos:

É bastante controverso relacionar o mecanismo pontos de vida a jogos de narrativa imaginária. Uma situação muito comum é alguém interpretar qualquer personagem com habilidade em arquearia atirar uma flecha mirando na cabeça, após rolar o dado, acerta o alvo com precisão. Logicamente, o inimigo não consegue mais reagir, mas pelas regras do jogo, ele ainda têm pontos suficientes para reagir e ficar em pé. Não há lógica nestas palavras, mas apenas nos números.

Não existe abertura para casos de exceções quando a saúde de alguém é apenas matemático. Talvez, desta forma, isto seja mais fácil para gerenciar batalhas de longa duração ou tentar derrotar inimigos poderosos, mas cá entre nós, o sistema de jogo não contribui muito para isso. Ficamos sempre a mercê dos números.

Definir a saúde de alguém por números é uma decisão equivocada. A real, é que eu preferia exterminar o nome pontos de vida. Talvez esta seja a diversão de uma massa de pessoas, mas não para mim. É apenas matemática de soma e subtração. Ignora o sabor de algo precioso, que é a narrativa. 

Outra forma de definir pontos de saúde são ferimentos. De acordo com a cena, os ferimentos causam alterações visuais ou nas características dos personagens. O que a princípio soa bastante interessante, mas será que resolve o problema em cenas mais intensas? Reflita também situações que o personagem está doente. Uma gripe, uma peste, algum tipo de anomalia biológica ou mágica. Como as regras dá apoio a este tipo de situação? 

Se eu ignorar a regra de pontos de vida, será que as pessoas que jogam não se divertirão? Será que o número é o ponto de ebulição para fazerem as pessoas se envolverem com a narrativa? Reflexões precisam ser feitas com bastante serenidade.

Eu li um artigo extremamente interessante no Gamasutra que fala sobre pontos de vida em jogos eletrônicos. Basicamente, você trabalhará com 2 tópicos dos quais poderão servir de inspiração para os jogos de narrativa analógica. São elas:

  • Equívocos.
  • Exposição.
Deixa eu acumular todo o meu exército na frente de um dragão só para ele assoprar fogo em todos.

Quando se fala em equívocos, trata-se de uma rotina pré-programada para o jogo te alertar sobre algo. Digamos que se você assume o papel de explorador de cavernas, entrar em qualquer caverna poderá causar situações de risco. Os jogos no estilo de dungeon crawl determinam isso. Você será constantemente assediado para fazer escolhas. E é bem provável que você tome decisões equivocadas, das quais acarretam prejuízos até o resto do jogo. Digamos que o seu objetivo é ultrapassar uma sala com um monstro do qual você tem a impressão que será derrotado facilmente, mas encontrou um portal mágico que fará você evitar isso, mas o custo disto é abandonar seus itens. O que você escolheria? Será que o monstro poderia ser derrotado facilmente? O que estaria depois dele? Será que teria uma recompensa maior logo a frente? Ou é uma armadilha? Então, como game designer é necessário pensar sobre o que a pessoa questionará antes de tomar uma decisão e que provavelmente cometerá um equívoco.

Cobertura e cobertura.

A exposição é o contra ponto da agressividade. Na verdade, a exposição está mais ligada a um jogo mais tático. O que pode torná-lo mais rígido e parado. Porém a qualidade narrativa pode ampliar absurdamente, pois a ambientação é diretamente responsável pelas atitudes dos personagens. Se você está em um clima mal iluminado, tempestade, lamaçal, pedregulhos, abaixo d'água, no céu, dentre outros, a narrativa deve explorar a criatividade de todos. E um personagem muito exposto, normalmente aquele power player, é mais controlado, forçando-o a depender mais da equipe e não sendo um personagem que faz tudo sozinho.

O que você pensa sobre o assunto? Deixe aí o teu recado nos comentários e vamos manter a conversa.

Abraços.

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