O que é Indie no RPG?



É uma pergunta que tende a criar respostas capciosas. Desde 2008, eu tenho percebido uma nova onda de jogos de RPG — materiais impressos publicáveis — feito por pessoas deste país. Claro que não é possível ignorar trabalhos realizados anteriores a essa data. Por exemplo, o projeto Tagmar. E acredito que este tipo de ponto de partida, é possível compreender o rolê do Indie no RPG.

Eu penso que um jogo independente precisa herdar alguns alguns princípios. Pegamos por base o texto que está descrito no FAQ do Indie RPG Awards:

“Indie” is short for independent, meaning, “independently created and owned”. There is no broadly-accepted objective definition for what is independent. However, there is a defined spectrum. A fully non-independent game would be one where the designer(s) submit a manuscript to the company, and have no rights or control after that point. A fully independent game would be one where the same person or people did all steps of product, including art, layout, printing, and distribution.

In practice, most games fall in between those two extremes. Creators may go to a generic publisher such as Lulu.com, but they may instead go to some other partner for printing and distribution, such as another independent creator or a game shop such as RPGNow. The contracts for such partnerships vary. For purposes of these awards, I prefer to err on the side of including more games within the category of indie. There are two key benchmarks:

  • The author or authors must at a minimum retain full copyright over the product, and any license for publishing should be non-exclusive.
  • The author or authors may contract out for art, layout, and some text. However, the primary authors (who hold copyright) must have written at least 50% of the actual game content.
"Role-playing game" in this case means an in-person game with published rules where players take on roles of characters, as coined by Dungeons & Dragons. It includes both tabletop and live-action, as well as any other games of personal interaction between the players, but does not include computer games or online games.

Resumidamente, o indie se resume a dois tópicos para compreendermos melhor o que é e o que não é:

  • Direitos autorais.
  • Autonomia de trabalho.
Direitos autorais é um tópico extremamente delicado. Vale realmente a pena cedê-lo para uma editora? Vejamos... Colocarei duas situações: Codinome A, que possui nenhuma experiência no mercado, não tem livros impressos publicados e apenas tem um blog de fã de algum RPG. No outro, Codinome B, que ele já tem alguma experiência com publicação impressa — talvez 1-3 trabalho. Tem pelo menos 5 anos de participação ativa em comunidades, eventos e etc.

É importante lembrar que normalmente a autoria da obra não possui dimensão ou até visão de negócios sobre o produto. A editora, além de tornar o seu trabalho em algo comercial, é responsável por distribuir seu produto e, consequentemente produzir sua fama. Obviamente a escolha final é sempre por parte da pessoa que teve a ideia do jogo, mas no caso de Codinome A é melhor deixar na "mão da editora" algumas publicações, justamente para construir um público e pegar experiência neste ramo. Para o Codinome B, ainda existe um impasse. Porque provavelmente seus trabalhos são afiliados a uma empresa, e que pode casuar certo desconforto se decidir ser independente. Codinome B precisa ser bastante popular para conseguir manter-se sozinho e realizar suas próprias produções.

A grande questão e que muitas pessoas — principalmente iniciante — pecam é a questão de dinheiro. Normalmente é o mesmo argumento ou similar:

 "Não quero receber 10% do preço de capa."

Assim, ninguém é obrigado a aceitar, mas faça um levantamento do número de atividades que você estará fazendo e o da editora responsável. É bastante provável que você refletirá melhor sobre o assunto e tomar uma decisão coerente.

Autonomia de trabalho fica diretamente ligado a dois fatores: capacidade de fazer a função e dinheiro. Neste blog, eu deixei para download uma planilha orçamentária para produzir um jogo de RPG independente. Bem, se você for capaz de fazer um bom trabalho — não precisa ser excelente — de todos os itens listados naquela planilha, parabéns, você vai longe nesse ramo e torço muito para que você rompe inúmeras fronteiras do nosso mercado. Porque você não necessitará de terceiros para finalizar o seu serviço. No meu caso, infelizmente não tenho tanta habilidade em alguns pontos e dependo bastante de outras pessoas para finalizar um trabalho. Basicamente eu me considero meio-indie (risos).

Mas jogando a real. Adquirir estas habilidades requer tempo — muito mesmo — e bastante disciplina para fazer algo muito bom e comercial. Porque fazer produtos de forma independente é muito simples, se você pensar de uma forma grosseira de produção. É simplesmente abrir qualquer editor de textos — bloco de notas é um ótimo exemplo — salvar e publicar pela internet e dizer: Eu fiz um jogo! Então, existem algumas características que valorizam ou torna legítimo o que é ou não um produto, aos olhos de quem será o consumidor da obra. E a profundidade deste assunto será tratado em uma próxima postagem.

Grandes conflitos


Vamos voltar ao passado, o projeto Tagmar é um coletivo de pessoas que produzem conteúdos sobre o mundo e sistema de Tagmar, Ele é totalmente gratuito (o Tagmar 2) e encontra-se disponível no site oficial. Na minha concepção, este jogo é a visão de um projeto independente. Eu lembro, nos tempos vindouros de RPGCON em São Paulo, os próprios autores explicando a trajetória deste projeto com livros feitos em impressora a jato de tinta. Eu admiro muito isto, é lindo. E hoje em dia, me identifico bastante com eles com a minha atual situação profissional neste ramo.

Também existe o caso de editoras de pequeno ou médio porte no Brasil. A Redbox quando publicou a primeira versão de Old Dragon foi um projeto — que teve o acompanhamento do finado blog Paragons — idealizado por duas pessoas. Os autores (Pop e Neme) não tinha total autonomia de produção para finalizar o trabalho do jeito como saiu. Foi necessário convocar outras pessoas para ajudá-los. O que não torna menos legítimo o indie.

Por fim, mais um caso muito interessante sobre o Bestiário de Arton para Tormenta RPG escrito pelo Gustavo Brauner em conjunto com o João Paulo Francisconi. Foi um trabalho que eles fizeram para a Jambô Editora, os dois sabiam elaborar o conteúdo em texto, mas para os demais ofícios, a própria editora assumiu contratando outras pessoas para finalizar o trabalho.

Então nestes 3 casos temos:

  • Alguém ou um coletivo que teve a ideia e a produziu.
  • Alguém ou um coletivo que teve a ideia e precisou contratar outras pessoas para produzir.
  • Demanda de um serviço para várias pessoas.
Provavelmente existirão exceções, por exemplo — o Só Aventuras do Tormenta RPG — elaborado pelo próprio editor-chefe de uma empresa há anos no mercado. Onde este exemplo é o cerne para questionar até que ponto é ou não indie. O que faz a pergunta e a primeira frase do primeiro parágrafo serem legítimas. E isso faz pensar melhor sobre o assunto. 

Apesar do texto soar como algo definitivo (veja o título), a intenção é manter a conversa sobre o assunto em movimento. Sei que para muitos isso foi uma discussão de 2008-2009, mas precisamos lembrar que outras pessoas estão chegando ou chegarão nesta mesma empreitada de produzir jogos. É importante que elas também manifestem suas opiniões sobre o assunto.

Deixe aí o que você pensa a respeito. Vamos conversar. Abraços o/


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