5 jogos da indie RPG que provocaram transformações culturais no nicho aqui no Brasil.


Os jogos têm um grande poder de transformação cultural. Existe um bando de entusiastas repleto de boas intenções que desenvolvem jogos analógicos. A grande parcela destes jogos analógicos e seus entusiastas concentram-se na comunidade indie RPG. Vários jogos foram produzidos, mas em destaque apenas gostaria de listar 5 que provocaram uma mudança para o nicho. Estes jogos entregaram para a comunidade uma nova possibilidade. Uma nova esperança, de que nada está acabado ou estagnado. Sempre haverá mudança. Pelo menos alguém, em algum lugar, estará lutando contra as tradições que não se adequam as reflexões ou pensamentos atuais. Nunca se esqueça disto.

Violentina

Capa do livro

Em 2011, o mineiro Eduardo Caetano exibiu para a comunidade nacional um novo modelo de realizar projetos: Crowdunding, no Brasil o termo é conhecido pelo nome "Financiamento Coletivo". O problema é que naquele tempo muitos entusiastas não tinham dinheiro ou investidor para apostar na ideia do projeto e, ficavam inibidos de continuarem suas produções. Existiam outros métodos de arrecadação de fundos como a Lei Rouanet (processo mais burocrático). Mas o autor do Violentina, Eduardo, apostou em um modelo totalmente diferente do sistema tradicional de financiamento de projetos culturais. Realizando uma campanha de financiamento coletivo em parceria com a Secular-Games (agora chamada de Coletivo Secular) conseguiram não só financiar o Violentina, mas mostrou para a comunidade uma nova oportunidade. Algo concreto. Atualmente, o financiamento coletivo é considerado como uma das melhores portas de entrada para projetos em desenvolvimento.




PULSE

Versão do jogo publicada pela Kobold's Den

Citar um termo comum do autor Encho Chagas: "SURREAL". O impacto que PULSE fez no Brasil é de caráter histórico. Apenas obter o título de "Campeão Mundial do Game Chef 2013" é pouco sob o ponto de vista de seus feitos até hoje. PULSE provocou um ponto de vista diferente sobre jogos de RPG. O jogo nutre da fonte essencial do RPG, que é contar histórias, mas transformou a versão engessada do eixo mestre-jogador de falas por turnos com um intenso jogo de planejamento e construção coletiva de uma história. E não só pela qualidade de sua proposta, mas por ser o primeiro estrangeiro a vencer uma competição tradicional nos EUA, além de chamar a atenção de grandes nomes lá fora como: John Wick, Jason Pitre, Brianna Sheldon, Jason Morningstar, Luke Crane, Paolo Bossi entre outros. PULSE trouxe os olhos e a atenção dos estrangeiros para os jogos de RPG (ou seus derivados) produzidos por brasileiros. Resumindo tudo isto em uma mensagem e, gostaria que esta frase esteja na contra-capa de alguma próxima edição do jogo, se possível.

PULSE é mais que um jogo. É um símbolo que proporcionou visibilidade mundial para os designers de jogos analógicos brasileiros.



Old Dragon 

A esquerda, capa da primeira edição, a direita capa atual, segunda edição.

Mr. Pop, Neme e Dan Ramos foram percursores de uma das editoras, atualmente, a mais respeitada no nicho de RPG, a RedBox Editora. Bem, mas retornarmos à 2008, onde tudo começou. Período do qual uma chuva de insatisfações dos fãs da edição 3.5 de Dungeons and Dragons em relação ao lançamento da quarta edição. Principalmente o Pop e o Neme estavam argumentando com pontos convincentes sobre a perda da identidade do jogo. O sabor do que era D&D estava perdido. Esta foi uma janela de oportunidade para concentrarem esforços e publicarem gratuitamente o Old Dragon. Um jogo com gostinho de Old School. A receptividade do público foi intensa e positiva. Os três citados no início do parágrafo deixaram o legado do finado blog Paragons para investir na editora RedBox com publicações de suporte para Old Dragon e alguns jogos independentes internacionais.



Abismo infinito

Capa da versão do concurso Faça-Você-Mesmo.

John Bogéa é um paraense e diretor artístico que trouxe um ponto de vista sobre apresentar protótipos em concursos (eu também os chamo de rascunhos jogáveis). Sim, suas ideias e qualidade são altamente respeitáveis. Simplesmente, Abismo Infinito foi um choque para todos em 2011 por um conjunto de fatores. Primeiro deles é a extrema habilidade artística em transmitir as emoções do jogo através do visual. Suas cores e ilustrações são admiráveis. Segundo, pela proposta de seu jogo. Um jogo de horror espacial baseado nos traumas psicológicos dos personagens. E terceiro, nada menos por apresentar outra obra no ano seguinte: Mundo Perfeito. John Bogéa tornou-se uma referência para a galera começar a fritar intensamente novos jogos tentando beber seus moldes e entender sua a forma de criação.



Meu brinquedo Preferido



Mais uma vez, Eduardo Caetano proporcionou outro ponto de vista na comunidade com o jogo "Meu Brinquedo Preferido". Lançado na plataforma Patreon, o autor filmou todo o processo de produção artesanal do produto. O que assistimos é uma forma delicada, atenciosa e inteligente de como compor um produto feito pelas mãos, longe dos processos mecanizados e tradicionais enviados por gráfica. Seu método 100% artesanal de produzir um produto jogável é uma das coisas mais brilhantes já vistas.


Não fique preso apenas nesta opinião. Tive a cautela de perguntar na comunidade indie RPG quais jogos que deveriam entrar na lista e, é de fundamental importância você seguir a discussão e opiná-la. Eu estimulo que você, de acordo com suas experiências de vida faça a sua lista dos jogos da indie RPG (e estou tratando de autoria brasileira e lusitana) que realmente transformaram culturalmente o RPG no Brasil.

Abraços.

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